I ♥ street art!
(Source: hurtingtheoneyoulove, via drinkingmercury)
Muda, muda tudo,
Não deixes ficar nada igual
Ao que está agora.
Muda a cor do teu cabelo.
Troca o teu piano de cauda
Por um cruzeiro no Panamá.
Muda os quadros de parede.
Troca os teus sapatos pretos
Por uns cor-de-rosa choque.
Muda os teus livros de estante.
Troca beijos por flores
E rega-as com lágrimas.
Rasga as cortinas do teu quarto
E deixa a luz do Sol e da Lua entrar.
Muda de carteira e de porta-chaves.
Troca a tua colecção selos por notas
E atira-as para a rua.
Muda o teu papagaio de lugar
E deixa-o chilrear como um canário.
Troca a tua prosa por poesia.
Muda o teu guarda-roupa.
Troca os teus euros por dracmas
E dá uma volta ao mundo.
Muda as tuas lentes de contacto
Por óculos de massa azul marinho.
Troca o teu carro por uma bicicleta.
Muda também tudo o que não puderes mudar
Não deixes ficar nada no mesmo lugar.
Fotografia: Henri- Cartier Bresson
(Source: Flickr / heteronimos, via c-erejeiras)
Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais. — Caio Fernando Abreu
A minha necessidade é do teu colo macio, de braços enroscados, cafuné nos cabelos enquanto desisto do mundo. De abraços apertados, de olhos fechados. A minha necessidade é do teu beijo lento na boca. É de mãos entrelaçadas quando ninguém vê, é de pés que se encontram embaixo do edredom.
Quero aquele olho no olho que pára o tempo, quero meus sorrisos beijados. Quero enxergar meu reflexo na tua retina, cheirar teus longos cílios, na rotina dos longos e molhados dias ao lado direito da sua cama. Beija meu corpo um milhão de vezes. Acaricia a minha barriga enquanto adormeço. Aperta a minha mão e me faz cócegas quando entristeço. Segura meu rosto e diz que a vida é agora - com vinte e cinco beijos entre o queixo e as pálpebras. A minha necessidade é daquela paz que anula o mundo e faz tudo parecer infinitamente mais leve quando estou dentro do teu abraço.
E quando eu digo que hoje só Shakespeare sente o que eu sinto, não é que eu entenda muito do grande poeta, mas sim por ele entender muito de mim.
Soneto 116
“De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora,
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou”
